A violência doméstica costuma ser tratada como uma questão restrita ao âmbito privado, mas seus efeitos vão além disso. É o que explica Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares. Segundo ela, esses imbróglios ultrapassam as paredes das casas e chegam ao sistema de saúde, à Previdência e ao mercado de trabalho. Mulheres que rompem relacionamentos abusivos, por exemplo, frequentemente enfrentam perda de renda, afastamento profissional e dependência temporária de redes de assistência social.
O processo de recomeço após uma relação abusiva envolve não apenas questões emocionais, mas também uma reorganização financeira e social profunda. Nesse cenário, políticas públicas de acolhimento, como transferência de renda, cestas básicas e programas de reinserção, funcionam como infraestrutura essencial para reduzir o custo social do problema. Compreender essa dimensão econômica amplia o debate sobre o tema e evidencia a relevância de investimentos consistentes em redes de proteção.
O peso econômico da violência doméstica no mercado de trabalho
Estudos sobre economia do cuidado e produtividade indicam que a violência doméstica gera afastamentos, queda de desempenho e, em muitos casos, desligamento definitivo do mercado formal. Esses efeitos recaem sobretudo sobre mulheres, que representam a maioria das vítimas registradas em ocorrências desse tipo.
Taiza Tosatt Eleoterio avalia que a instabilidade emocional provocada por um relacionamento abusivo compromete diretamente a capacidade de concentração e permanência no trabalho. Além disso, a necessidade de reconstruir moradia, renda e rotina após a separação impõe uma sobrecarga que, sem suporte adequado, tende a prolongar o afastamento produtivo. Esse cenário reforça por que o tema interessa não apenas à área social, mas também a gestores públicos e privados preocupados com produtividade e retenção de mão de obra.
Assistência social como investimento, não apenas como gasto
Programas de assistência social costumam ser interpretados sob a ótica orçamentária, como despesa a ser contida. Contudo, especialistas em políticas sociais argumentam que o investimento em redes de apoio reduz custos futuros com saúde, segurança pública e Previdência, ao acelerar a reinserção econômica das vítimas.
Entende-se que acesso rápido à assistência social, moradia temporária e suporte psicológico diminui o tempo necessário para que uma mulher em situação de vulnerabilidade retome sua autonomia financeira. Diante disso, a eficiência desses programas está diretamente ligada à velocidade de retorno da pessoa ao mercado de trabalho e à sociedade produtiva. Nesse sentido, tratar a assistência social como investimento, e não apenas como custo emergencial, tende a gerar retorno econômico mais consistente no médio prazo.
Cestas básicas e acolhimento como base da rede de proteção
Entre os instrumentos de assistência social, as cestas básicas seguem como um dos recursos mais imediatos para famílias em situação de crise. Embora pareçam um benefício pontual, elas cumprem uma função estrutural ao garantir segurança alimentar em um momento de reorganização financeira intensa.
Taiza Tosatt Eleoterio analisa que o acolhimento inicial, incluindo suporte alimentar, é determinante para que a mulher tenha condições mínimas de buscar emprego, moradia e assistência jurídica. Sem essa base, o risco de retorno ao ciclo de violência por dependência financeira aumenta consideravelmente. Por outro lado, quando esse suporte é combinado com orientação psicológica e encaminhamento profissional, os resultados tendem a ser mais duradouros, o que reforça a importância de políticas integradas e não fragmentadas.
Recomeço como processo econômico e social simultâneo
O recomeço após um relacionamento abusivo não se limita à dimensão emocional, mas envolve decisões práticas sobre moradia, emprego e sustento. Esse processo costuma ser mais rápido quando há articulação entre assistência social, mercado de trabalho e suporte psicológico especializado.
É necessário contextualizar que iniciativas de capacitação profissional voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade têm impacto direto na velocidade da recuperação financeira. Além disso, parcerias entre poder público, empresas e organizações sociais ampliam as possibilidades de reinserção, reduzindo a dependência prolongada de programas assistenciais. Esse tipo de articulação tende a gerar ganhos tanto para a pessoa atendida quanto para a economia local, ao devolver ao mercado de trabalho profissionais capacitadas.
Um debate que une economia e proteção social
Em última análise, nota-se que o custo econômico da violência doméstica segue subestimado em boa parte das análises públicas, que tendem a tratá-lo apenas como uma questão social isolada. Ao considerar seus efeitos sobre produtividade, Previdência e mercado de trabalho, o tema ganha relevância também para gestores econômicos e formuladores de política pública.
Taiza Tosatt Eleoterio indica que integrar assistência social, saúde mental e mercado de trabalho é o caminho mais eficiente para reduzir tanto o sofrimento individual quanto o custo coletivo da violência doméstica. Esse olhar amplia o debate sobre recomeço e assistência social, situando-o não apenas como pauta humanitária, mas como um fator relevante para a economia produtiva do país.

