O uso de plasma rico em plaquetas, conhecido pela sigla PRP, durante a blefaroplastia superior foi associado a melhores avaliações das cicatrizes em um estudo prospectivo, randomizado e controlado. A pesquisa acompanhou 54 participantes submetidos à cirurgia e comparou os resultados de um grupo que recebeu o material durante o procedimento com os de outro que passou pela operação sem essa aplicação adicional.
Os resultados foram publicados online em 25 de setembro de 2026, em formato “ahead of print”, no The Journal of Craniofacial Surgery. O registro da pesquisa no PubMed informa que os autores são vinculados ao Kartal Dr. Lütfi Kırdar City Hospital, em Istambul, na Turquia.
Como o estudo avaliou o PRP
Na pesquisa, o PRP foi aplicado durante a blefaroplastia superior, procedimento realizado nas pálpebras superiores. O grupo de comparação passou pela cirurgia sem receber a aplicação adicional. A proposta foi verificar se o material autólogo — preparado a partir do próprio paciente — poderia estar relacionado à evolução das cicatrizes no período posterior à operação.
A avaliação foi feita em dois momentos: no primeiro e no sexto mês depois da cirurgia. Os pesquisadores consideraram tanto a percepção dos próprios participantes quanto a análise da equipe responsável pelo estudo. Nas duas formas de avaliação, o grupo tratado com PRP apresentou pontuações significativamente menores nas escalas utilizadas para analisar as cicatrizes.
Em avaliações desse tipo, uma pontuação menor representa uma aparência cicatricial considerada melhor pelos critérios adotados. O achado indica que, dentro das condições analisadas, a aplicação do PRP esteve associada a uma evolução mais favorável das marcas cirúrgicas. A principal diferença observada, portanto, concentrou-se na qualidade das cicatrizes.
Resultados não se repetiram nos indicadores psicológicos
Além da cicatrização, o trabalho investigou ansiedade, depressão e qualidade de vida. Os dois grupos apresentaram melhora nos indicadores psicológicos após a cirurgia, mas a diferença entre os participantes que receberam PRP e os que não receberam não foi considerada significativa nesses aspectos.
Esse resultado ajuda a delimitar o alcance da pesquisa. Embora o estudo tenha identificado uma associação positiva entre o uso intraoperatório do PRP e a aparência das cicatrizes, ele não demonstrou que a aplicação produza benefícios adicionais comprovados sobre o bem-estar emocional ou a qualidade de vida dos pacientes.
A blefaroplastia pode envolver expectativas relacionadas à aparência facial e à recuperação após o procedimento. Ainda assim, os dados apresentados não permitem afirmar que o PRP tenha efeito psicológico específico ou que a melhora nas cicatrizes provoque, necessariamente, mudanças superiores na percepção geral de saúde e satisfação.
Limitações exigem cautela na interpretação
O estudo tem limitações que devem ser consideradas antes de ampliar suas conclusões. A amostra foi formada por 54 participantes, número reduzido para estabelecer resultados aplicáveis a todos os pacientes submetidos à blefaroplastia. Além disso, a pesquisa foi conduzida em um único centro, o que pode limitar a generalização dos achados para outros serviços, equipes e populações.
Outro ponto é que a investigação analisou especificamente a blefaroplastia superior. Por isso, os resultados não podem ser automaticamente transferidos para outras cirurgias plásticas, diferentes regiões do corpo ou pacientes com características clínicas distintas. Também não é possível concluir, com base nesse trabalho isolado, que o PRP seja eficaz para todos os tipos de cicatriz.
O caráter randomizado e controlado fortalece a comparação entre os grupos, mas novas pesquisas, com amostras maiores e acompanhamento em diferentes centros, podem ajudar a confirmar os resultados. Estudos posteriores também poderão esclarecer em quais perfis de pacientes o uso do plasma rico em plaquetas apresenta maior benefício e como ele se compara a outras estratégias de cuidado no período pós-operatório.
O que os resultados permitem afirmar
Com base nos dados divulgados, a conclusão mais segura é que o PRP aplicado durante a blefaroplastia superior esteve relacionado a melhores pontuações de avaliação das cicatrizes no primeiro e no sexto mês após a cirurgia. Esse possível benefício deve ser interpretado como um resultado específico da pesquisa, e não como uma garantia para qualquer procedimento ou pessoa.
A decisão sobre utilizar ou não o plasma rico em plaquetas precisa considerar a avaliação individual do paciente, a indicação cirúrgica e a análise do profissional responsável. Para o público, a pesquisa oferece evidência inicial sobre uma aplicação do PRP na cirurgia das pálpebras, mas ainda não sustenta a ideia de que o recurso seja uma solução definitiva para cicatrização ou recuperação emocional.

