Situações de alto risco impõem ao profissional de segurança demandas físicas que não aparecem em nenhum treinamento convencional de sala de aula. Conforme elucida Ernesto Kenji Igarashi, a capacidade de se mover rapidamente em ambientes hostis, de manter precisão técnica depois de um esforço intenso, de sustentar atenção por longos períodos sem declínio de desempenho e de recuperar estabilidade fisiológica após um pico de adrenalina: todas essas exigências têm uma base física que precisa ser desenvolvida deliberadamente.
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Quais capacidades físicas têm impacto direto no desempenho operacional?
O imaginário popular associa o profissional de segurança preparado fisicamente a alguém com grande massa muscular. Essa associação é equivocada. As capacidades físicas mais relevantes para o trabalho de segurança são a resistência cardiovascular, a força funcional aplicada ao movimento, a agilidade e a capacidade de recuperação rápida após esforço intenso. De acordo com Ernesto Kenji Igarashi, essas qualidades determinam como o profissional performa durante e após situações de alta demanda, muito mais do que o volume muscular.
Ernesto Kenji Igarashi destaca que a resistência cardiovascular é especialmente crítica porque sustenta a qualidade cognitiva sob esforço. Pesquisas em fisiologia do exercício demonstram que a precisão técnica, a velocidade de tomada de decisão e a capacidade de processar informações do ambiente se degradam significativamente quando o profissional está operando próximo ao limite cardiovascular. Um profissional com boa base aeróbica mantém o processamento cognitivo em níveis mais elevados durante e após esforços intensos, o que significa melhores decisões nos momentos que mais importam.
A força funcional, distinta da força máxima de um levantador, envolve a capacidade de gerar força em movimentos que replicam as demandas reais do trabalho: carregar peso, imobilizar, empurrar, puxar, mudar de direção rapidamente. Desenvolver esse tipo de força requer treinamento que priorize movimentos multiarticulares em diferentes planos, com progressão de carga e complexidade que acompanhe o desenvolvimento do profissional.
Como o estresse fisiológico de situações reais afeta o desempenho sem preparo adequado?
Quando o organismo detecta uma ameaça real, uma cascata de respostas fisiológicas é ativada em segundos. A frequência cardíaca sobe abruptamente, o fluxo sanguíneo se redistribui para os músculos locomotores, a acuidade visual periférica diminui e a capacidade de processar múltiplas informações simultaneamente se reduz. Esse conjunto de respostas, conhecido como resposta de estresse agudo, é uma adaptação evolutiva eficiente para certas situações, mas pode comprometer seriamente o desempenho técnico que situações de segurança exigem.

Profissionais com baixo condicionamento físico tendem a experimentar essa resposta de forma mais intensa e prolongada. O coração que já trabalha próximo ao limite em esforços moderados atinge frequências que comprometem a motricidade fina e a precisão técnica muito mais rapidamente do que o coração de um profissional bem condicionado. Segundo Ernesto Kenji Igarashi, a diferença não está apenas na capacidade atlética. Está na janela de desempenho que cada profissional tem disponível antes de o estresse fisiológico começar a degradar suas capacidades.
Como estruturar uma preparação física específica para profissionais de segurança?
A preparação física para profissionais de segurança precisa ser planejada com foco nas demandas reais da função, e não baseada em modelos de treinamento esportivo que perseguem objetivos diferentes. Uma estrutura eficiente combina três componentes em proporções equilibradas: trabalho cardiovascular de base aeróbica, que constrói a resistência de longo prazo e sustenta a recuperação; sessões de alta intensidade intervalada, que desenvolvem a capacidade de recuperar rapidamente após esforços máximos; e treinamento de força funcional, que desenvolve a capacidade de gerar força em movimentos operacionalmente relevantes.
A consistência ao longo do tempo é mais determinante do que a intensidade de qualquer sessão isolada. Um profissional que treina regularmente com intensidade moderada durante meses desenvolve capacidades que sessões ocasionais de treino intenso jamais produzirão. Criar um programa sustentável, compatível com a rotina de trabalho e as demandas de recuperação do próprio serviço, é a chave para construir o condicionamento que se mantém no longo prazo, comenta Ernesto Kenji Igarashi, um dos coordenadores da segurança do Papa Francisco, em julho de 2013.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

