Nos últimos tempos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado fortalecer a relação com a comunidade evangélica por meio de um programa social denominado Acredita. Este programa, uma das principais apostas do governo para incentivar o empreendedorismo e combater a desigualdade social, tem atraído um número significativo de igrejas evangélicas. Mais de 70 entidades religiosas, espalhadas por diferentes regiões do Brasil, aderiram à iniciativa, que visa não apenas oferecer capacitação, mas também facilitar o acesso a linhas de crédito para pessoas de baixa renda. O envolvimento das igrejas é fundamental, já que elas desempenham um papel central na mobilização das comunidades, facilitando a adesão de milhares de pessoas ao programa.
A estratégia do governo Lula para aproximar-se das igrejas evangélicas começou no Rio de Janeiro, um estado que é, tradicionalmente, associado a uma base de apoio política mais conservadora, ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, o governo foi assertivo em sua busca por parcerias com pastores e lideranças religiosas locais, incluindo igrejas evangélicas que operam em regiões periféricas e comunidades carentes. O impacto dessas alianças é relevante, pois além de criar uma rede de apoio para os cidadãos mais necessitados, também busca conquistar a confiança de um público fiel, que possui um grande poder de mobilização nas esferas eleitorais.
Além do Rio de Janeiro, o Piauí também foi um dos estados onde o governo encontrou ressonância com suas políticas de aproximação das igrejas evangélicas. O ministro Wellington Dias, ex-governador do estado, foi um dos principais articuladores dessa movimentação. A estratégia consiste em uma rede de apoio que não só visa ajudar na inclusão social, mas também propicia uma melhor relação entre a administração pública e as lideranças religiosas. Com o respaldo de igrejas e pastores influentes, o governo espera aumentar a adesão ao Acredita, especialmente entre as famílias cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico), uma base de dados de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
O programa Acredita não é apenas uma iniciativa do governo federal; ele também envolve uma série de entidades e organizações evangélicas de peso, como a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. A participação de tais entidades confere ao programa uma legitimidade religiosa importante, visto que as igrejas têm um papel preponderante na vida social e política de uma parcela significativa da população brasileira. A adesão dessas organizações não é apenas simbólica, mas traz consigo um compromisso concreto de indicar pessoas de sua comunidade para o programa de capacitação e empreendedorismo oferecido pelo governo.
Uma das estratégias mais interessantes do programa Acredita é a capacitação de pastores e líderes religiosos para que se tornem facilitadores no acesso aos benefícios. Até agora, cerca de 600 líderes religiosos já foram treinados para orientar as comunidades sobre as possibilidades que o programa oferece. O papel desses líderes, além de ser educativo, é fundamental para a ampliação da rede de contatos do governo com as camadas mais carentes da população. A adesão ao programa, portanto, passa a ser facilitada por aqueles que já possuem a confiança e a proximidade das pessoas, criando um caminho mais direto para a inclusão social e a melhoria das condições de vida.
Entre os benefícios oferecidos pelo programa Acredita, destacam-se as linhas de crédito voltadas para empreendedores de baixa renda e as capacitações que permitem aos participantes desenvolver habilidades em diversas áreas, como gestão, marketing e finanças. Ao focar no empreendedorismo, o programa também contribui para o fortalecimento econômico das famílias e das comunidades, ajudando na criação de novos negócios e no aumento da geração de emprego. Com isso, o governo Lula reforça sua estratégia de combater a pobreza e promover a igualdade social por meio da inclusão econômica.
A importância das igrejas evangélicas na implementação do Acredita vai além de uma simples parceria. Elas atuam como agentes de transformação social, com a capacidade de atingir diretamente aqueles que mais necessitam de suporte. Este vínculo entre religião e política tem gerado debates intensos, especialmente entre aqueles que questionam a fusão de práticas religiosas com políticas públicas. No entanto, é inegável que o apoio das igrejas tem permitido que o governo chegue a milhares de pessoas que, de outra forma, poderiam ficar à margem das políticas sociais.
Em suma, a adesão das igrejas evangélicas ao programa Acredita é um reflexo de uma estratégia política mais ampla do governo Lula, que busca fortalecer sua relação com importantes grupos religiosos no Brasil. Através dessa parceria, o governo não só facilita a implementação de políticas públicas, mas também busca uma maior inclusão social e econômica para as pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao integrar as igrejas no processo, o programa cria uma rede de apoio sólida, que pode ter um impacto duradouro na melhoria das condições de vida de milhares de brasileiros.
Autor: Silvye Merth